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PAN quer identificar culturas agrícolas compatíveis com disponibilidade hídrica para os próximos 50 anos

PAN quer identificar culturas agrícolas compatíveis com disponibilidade hídrica para os próximos 50 anos

Fonte do artigo: Agricultura e Mar

O PAN – Pessoas-Animais-Natureza quer estabelecer a obrigação do Governo implementar um plano nacional de acção de adaptação às alterações climáticas para o sector da água. E por isso, exige que o Executivo identifique que “tipos de culturas agrícolas serão compatíveis com a disponibilidade hídrica projetada para os próximos 50 anos”.

Por outro lado, defende a “determinação de restrições ao uso da água para determinadas actividades económicas sempre que tal não seja compatível com a disponibilidade hídrica”.

Segundo o Projecto de Lei 931/XIV/2, entregue na Assembleia da República pelos deputados Bebiana Cunha, Inês de Sousa Real  e Nelson Silva, o plano nacional de acção sectorial de adaptação às alterações climáticas para o sector da água, que, sendo aplicável a um período temporal de 5 anos, deverá identificar as zonas ameaçadas pela escassez de água para uso humano para os próximos 50 anos, assim como prever fontes alternativas de obtenção de água potável e de retenção de recursos hídricos no solo e garantir a implementação de planos de uso eficiente da água.

Aqueles deputados defendem ainda a realização de um levantamento dos diplomas nacionais e convenções internacionais que prevejam regimes de excepção que tenham a precipitação histórica como referência e a previsão de recomendações tendentes a assegurar a sua compatibilização com os objectivos de adaptação às alterações climáticas.

Por outro lado, a ser aprovado o Projecto de Lei, passa a competir às câmaras municipais “elaborar e executar um plano municipal de adaptação às alterações climáticas para o sector da água, que seja aprovado pela respectiva Assembleia Municipal e concretize no âmbito municipal o disposto na estratégia e plano de acção de adaptação às alterações climáticas para o sector da água”.

Um dos maiores desafios que o País terá de enfrentar

Explicam os deputados do PAN – Pessoas-Animais-Natureza que os recursos hídricos e o acesso à água potável “constituem um dos maiores desafios que o País terá de enfrentar, com consequências ao nível da precipitação e da seca extrema (…). Para além do impacto da escassez de água nas populações, ecossistemas e actividades económicas sabemos que o acesso à água, em cenário de escassez, tem constituído, historicamente, uma das maiores fontes de tensão e conflitos entre Estados”.

E acrescentam que “a redução da disponibilidade de água potável em território nacional será muito significativa e implica uma avaliação urgente do que poderá ser o uso da água e de que forma poderemos contrariar este processo”.

“Veja-se aliás, que esta não é apenas uma realidade distante, mas já do presente, como nos exemplificam situações como a escassez de água na zona da rega do Mira ou o grave problema que se antevê por força da ocupação do parque natural da costa vicentina com estufas e actividade agrícola intensiva ou super intensiva ou o progressivo aumento da agricultura intensiva no Alentejo, em particular do olival intensivo, que, de acordo com investigadores da Universidade de Évora, vem pôr em causa a sustentabilidade e equidade no acesso à água, recurso precioso numa região em que é tão escassa”, salientam aqueles deputados.

Pode ler o o Projecto de Lei 931/XIV/2 completo aqui.

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